Todos “cuspimos” escrúpulos através
de palavras. Repetimos conceitos, marcos enraizados numa sociedade que vive
educada pelos mesmos valores e desejos. Muitos desses “escarros” não passam de
doutrinas, cuja intenção é servir como um banho de tinta que transfigure uma
imagem de pessoas “de bem”, moralmente conhecedoras da vida e que, fazendo uma
analogia irónica e metaforicamente tecnológica, buscam por um “gosto” a nível
social. São exemplos: detestar pessoas falsas, o vulgar “ já caí mas ergui-me”,
não abandones os teus sonhos, o “amor eterno e verdadeiro”, a oposição a
ideologias politicas (independentemente do partido a que pertençam), o “sê quem
tu és”, entre muitas outra. Não me oponho à sua essência (não de todas elas)
nem ao seu fundo de verdade. Mas, de facto, muitos não passam de “palavras
soltas”, estas que, como meio, pretendem significar o conteúdo, e este ultimo, único
possuidor de verdade, acaba por ficar esquecido e não é sentido.
Vem do senso comum não gostar de
certas atitudes de outrem para connosco, as chamadas “pessoas falsas”, mas,
mesmo essas “pessoas falsas” dizem detestar sujeitos assim… Então, onde vive a
noção de falsidade?
Quanto ao amor eterno, bem, esse, a
meu ver é algo que não existe como uma constante que nasceu destinada a o ser.
O destino é construído pelas nossas atitudes ao longo da vida, e, se não
cultivarmos o nosso próprio terreno, não vamos obter fruto algum. Daí a o
“eterno” ser uma falsa sentença, visto que em cada dia daremos um pouco de nós
para o cultivo do nosso terreno, e, dependendo do trato que achar-mos mais
adequando, teremos resultados consequentes. Não nos podemos esquecer que, a nossa
“sementeira” é frágil e que uma “tempestade” pode alterar todos os nossos
planos, o nosso cultivo. Somos vulneráveis e não temos controlo absoluto sobre
aquilo que lavramos. Falar em “eternidade” implicaria uma dimensão isolada de
atrito, funcionando num sistema fechado sem entrada ou saída de qualquer
elemento, coisa que, não existe.
Porém, percebo que a expressão é
despertada por um desejo, o desejo de nunca deixar de viver determinado
momento. Mas, visto que somos vulneráveis, estamos sujeitos a factores que podem
alterar os sentimentos que vigoram no hoje, tornando-se obsoletos em um amanha.
Por vezes, acha-mo-nos absolutamente certos daquilo que pensamos e que conhecemos
- os sentimentos - e considera-mo-nos suficientemente poderosos para manter o
controlo sobre estes. Mas, quando nos apercebemos que estamos errados,
reavaliamos e vamos notando que, afinal, não nos conhecemos como pensávamos e
que vivemos enganados pela ilusão. Então, o conceito de eternidade vai perdendo
o seu significado, entrando em desuso e, por fim, morre. Concluo assim que a
noção de eternidade vive da falta de experiência pois, consoante esta vai
crescendo e nos vamos encontrando, ganhamos noção da nossa fragilidade.

Não farei mais referência alguma,
penso ter apontado as que mais me inquietam.
E o facto de tirar certas conclusões
não significa que nunca as tenha usado, “cuspido para o mundo”. Porém,
reconheço que a sociedade vive assente sobre certas rezas que, ficam bem
moralmente, mas o problema é que se esquecem de pensar sobre elas. Saber que o seu conteúdo,
a princípio, é rotulado pela sociedade como correto, não chega. Não somos robôs
programados a executar sem consciência.
O certo é que a sociedade vive em torno das
aparências e esquece a essência daquilo que usa como vanglória.
JulietaC.
JulietaC.
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